sexta-feira, 25 de julho de 2008

Anjos atônitos.

Meus sonhos têm devorado quilômetros do meu sono. Castigo ácido sobre pétalas doces, beijo lilás que não pude negar. Lábios e noites não me pertencem mais. Perdi meu dia para o invisível. Não importa quanto Chanel use, minha alma está doente e seu perfume me acompanha num denso cortejo fúnebre, sem flores, sem cores. Na rua, os vivos esquivaram o pobre mendigo da Rua São Clemente. No sinal, os anjos se abriram como o Mar Vermelho para me deixar passar.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Comida de porcos

Posso dizer com exatidão em qual momento da minha vida comecei a odiar a policia. Aos nove anos minha bola de futebol foi chutada para fora de campo e rolou lentamente até se deter aos pés de um PM. Meus olhos seguiam a bola e se depararam com um par de botas pretas. Levantei os olhos e dei de cara com um homem gordo e grotesco.

Ele venceu a sua grande pança, se abaixou e pegou meu brinquedo. Mas tudo bem, ele era um policial, ele era dos “mocinhos”. Então simplesmente me aproximei e pedi minha bola de volta. Ele segurou meu braço direito e apertou com força. Enquanto me machucava ele proferiu orgulhoso as seguintes palavras: “quem manda aqui sou eu, só te devolvo tua bola se eu quiser”.

O porco precisava se auto-afirmar e eu fui seu alimento. Trás empanturrar seu ego imundo devorando meu fino braço ele soltou seu troféu. A bola caiu e rolou pelo chão. Meu conceito de lei também.

Entendo perfeitamente um jovem negro que pega um Automatic Kalashnikov e estoura os miolos de um porco filho da puta.

domingo, 6 de julho de 2008

Dorian Gray

"Cada um de nós traz consigo a chave do inferno"