quarta-feira, 9 de julho de 2008

Comida de porcos

Posso dizer com exatidão em qual momento da minha vida comecei a odiar a policia. Aos nove anos minha bola de futebol foi chutada para fora de campo e rolou lentamente até se deter aos pés de um PM. Meus olhos seguiam a bola e se depararam com um par de botas pretas. Levantei os olhos e dei de cara com um homem gordo e grotesco.

Ele venceu a sua grande pança, se abaixou e pegou meu brinquedo. Mas tudo bem, ele era um policial, ele era dos “mocinhos”. Então simplesmente me aproximei e pedi minha bola de volta. Ele segurou meu braço direito e apertou com força. Enquanto me machucava ele proferiu orgulhoso as seguintes palavras: “quem manda aqui sou eu, só te devolvo tua bola se eu quiser”.

O porco precisava se auto-afirmar e eu fui seu alimento. Trás empanturrar seu ego imundo devorando meu fino braço ele soltou seu troféu. A bola caiu e rolou pelo chão. Meu conceito de lei também.

Entendo perfeitamente um jovem negro que pega um Automatic Kalashnikov e estoura os miolos de um porco filho da puta.

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